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Umbandistas pedem ao MP, abertura de ação penal contra evangélicos, por intolerância

Grupo é acusado de interromper culto, em cemitério de Niterói, com ofensas a membros de templo de Umbanda.

O Babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, representado pelos advogados, Dr. Hédio Silva Júnior, Dr. Antônio Basílio Filho e o Dr. Jader Freire de Macedo, juntamente com o Babalorixá, Pai Tadeu, idealizador do Projeto União, deu entrada com uma representação criminal, junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), pedindo a instauração de ação penal, para apurar responsabilidade criminal, de integrantes da Igreja Ministério Redenção, no bairro do Barreto, em Niterói. O grupo é acusado, pelos umbandistas, de formação de quadrilha, perturbação de culto e intolerância religiosa.

No dia 2 de novembro, integrantes da Tenda de Umbanda Ogum Megê, faziam um culto religioso, no Cemitério de Maruí Grande, no bairro de Barreto, em Niterói, quando foram abordados por 30 evangélicos. O grupo, que estava uniformizado, interrompeu o culto aos gritos de “macumbeiros, capeta, macumbeiros têm que morrer”; tá amarrado em nome de Jesus”; “tem que expulsar porque é demônio; e “Queima eles Satanás”. Um deles desferiu um tapa na cabeça do dirigente umbandista, Allan Hansen Rosa de Souza.

Publicado no Facebook por Marcelo Dias (Yango ti Obalùwàiyè)

Segundo a denúncia, feita ao MPRJ, durante encontro, na última quarta-feira, com o procurador-geral de Justiça interino, Ricardo Ribeiro Martins, a ação teria durado cerca de 30 minutos e foi assistida por 20 pessoas, além das vítimas. A sessão de humilhações e constrangimentos só foi interrompida após os umbandistas terem acionados guardas municipais.

Umbandistas foram recebidos pelo procurador Ricardo Ribeiro Martins.

– Não podemos permitir que nossa crenças ultrapassem o direito religioso do outro. A fé, o modo de culto, ou de expressar a religiosidade. A intolerância, a falta de alteridade e humanidade com O outro, que crê e é diferente, são os grandes entraves para a construção de uma sociedade plural, onde o respeito e a tolerância possam prevalecer — afirmou Ivanir dos Santos.

Segundo o babalaô, o procurador-geral da Justiça, Ricardo Ribeiro Martins, se comprometeu em agilizar e dar atenção para a investigação e informou que iria encaminhar o caso para 6ª Procuradoria de Investigação Penal de Niterói, da 2ª Central de Inquéritos.

Na denúncia, os umbandistas argumentam que a lei orgânica, do município de Niterói, prevê que, nos cemitérios públicos da cidade, sejam permitidas todas as confissões religiosas, bem como as práticas dos seus ritos. Além disso, a Lei 3.089 de 26 de junho de 2014, declara a Umbanda como patrimônio, imaterial, daquele município.

Na página da igreja, no Facebook, há várias mensagens de repúdio contra a ação dos evangélicos. “Intolerância é o que vocês pregam, não tem um pingo de amor ao próximo e respeito com as demais religiões”, postou uma internauta. “Péssimo! Intolerância religiosa é CRIME, espero que saibam disso! Difundem o verdadeiro significado do evangélico e afastam pessoas da sua própria religião, por serem ignorantes”, escreveu outra.

O Jornal O GLOBO não conseguiu localizar os responsáveis pela Igreja Ministério Redenção.


Fonte: O GLOBO
Por: Geraldo Ribeiro
Editado pela redação

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