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SERÁ QUE O INIMIGO MORA EM NOSSO SEIO?
Postado em Sexta, setembro 19 @ 12:28:44 BRT por NeyBarbosa
Meus Irmãos, como todos sabemos, as pessoas sempre se identificam umas com as outras, por várias razões, como por exemplo: raça, cor, sexo, profissão, time de futebol, e, também, pelo motivo que julgo mais importante: a Religião!
 
A fé que habita em cada um de nós é particular. Ela cresce, se solidifica com os anos, molda nosso caráter e cria comportamentos que irão nos diferenciar por toda nossa vida.
 
Eu me refiro a essa fé que nos leva a praticar nossos rituais em louvor aos Orixás e nos impulsiona a desenvolver, com a máxima dedicação e pela melhor forma, os trabalhos com nossas Entidades.


Com certeza, as razões que movem a cada um de nós, seguidores da Umbanda e Candomblé, são as mesmas razões que nos conduzem até a Tenda, o Terreiro, o Ilê, todas as semanas. E é esse sentimento, é essa obrigação moral que une a todos nós em torno de nossa Religião.
 
Nesse aspecto eu acredito, sem nenhuma sombra de dúvida, que há um elo entre a minha pessoa e todos os meus Irmãos de Fé, da Umbanda e do Candomblé.
 
Nossos interesses são os mesmos: praticar o bem, levar conforto aos nossos semelhantes que se encontram em estado de aflição, distribuir a caridade, espalhar amor, ter tolerância, agir com confiança, compreensão, buscar a integração e combater as injustiças e semear a paz.
 
Mas tenho uma dúvida: se essas razões são suficientes para nos unir, para nos fazer irmãos, por que é que nós, da Umbanda e Candomblé, ainda não temos uma significativa representação política?
 
Sinceramente, não posso crer que um Irmão de Fé, da Umbanda e Candomblé, confie em qualquer outro e não em um irmão nosso, um membro de nossa Comunidade Religiosa, a ponto de fazer dele seu representante político.
 
Não creio! Prefiro acreditar que não temos uma efetiva representação política apenas porque nunca nos mobilizamos. Mas acredito que isso acaba aqui, porque, com certeza, agora é hora de mudar!
 
É chegada a hora de nos mobilizarmos, nos unir para mostrar nossa força! A força da nossa Fé! A força que nos levará a ter representação e voz! Tudo como que merecemos e necessitamos!
 
Apesar dessa certeza, alguns ranços do passado surgem e algumas poucas pessoas erguem sua voz para perguntar: - Por que votar em alguém da Umbanda ou do Candomblé?
 
Sinceramente, isso me surpreende e me entristece muito, principalmente por ver que essas poucas e parcas vozes, se escondem atrás dos teclados e telas de seus computadores, para, tomando em vão o nome da religião, polemizar onde polêmica não há, semear discórdia, intrigas e desunião onde hoje impera a união e a sinceridade fraterna.
 
São lobos passando por cordeiros? São nossos “irmãos” de verdade?
 
Afinal, onde mora o inimigo? Será que ele se abriga sob o teto de nossa Sagrada Religião apenas para dar vazão a seus recalques e frustrações?
 
Para mim que venho manifestando, em todos os momentos, a minha alegria em finalmente ver as nossas mais expressivas Lideranças Religiosas e os Membros de nossa Comunidade, os nossos verdadeiros Irmãos de Fé, a resposta é simples.
 
Responder a essa pergunta é algo muito fácil. A resposta até chega a ser desnecessária, de tão óbvia!
 
O que realmente fica difícil, ao menos para mim, é ver - e, pior, entender - alguns poucos elementos que se dizem da religião, que se afirmam “cultos” e “letrados”, empinando o nariz e se arvorando em seus diplomas, usando de sua eventual formação universitária (e se utilizando de meios de comunicação como a Internet), para, ocultando sua inveja, seu ódio e seus rancores sob o “manto da intelectualidade”, fazerem essa pergunta despropositada e grotesca, pergunta apenas para disseminar intrigas e controvérsias vãs, sempre movidos por seus baixos, rasteiros e até escusos sentimentos e propósitos.
 
Em minha opinião esses poucos elementos, que apenas buscam dividir, em lugar de somar, dentro de nosso seio religioso, poderiam, ou melhor, DEVERIAM se aproximar, ver quem são e o que fazem as Federações, as Lideranças e os Irmãos de Fé que compõem o Grupo da União, o Movimento Chega! Os Guerreiros do Axé.
 
Eles querem medir e comparar poder aquisitivo e curriculuns?
 
Eu pergunto: dentro ou fora da Religião?
 
Se é fora, então que não usem os nomes e as siglas da Umbanda e do Candomblé!
 
Talvez não seja dentro...
 
Com certeza deve ser fora do Seio Religioso, para poderem mostrar os “títulos de doutor”, porque, no Seio da Umbanda e do Candomblé, esses “inimigos da união” não tem sequer o direito de questionar a vida, o respeito, a credibilidade de todas essas maiores expressões religiosas que estão se unindo sim, em busca do melhor para a Religião e a Comunidade Religiosa.

Aqui, na Comunidade Religiosa, dentro da Umbanda e do Candomblé, diante da espiritualidade, diante dos Orixás e de todas as nossas Entidades, seus diplomas, como todos e quaisquer títulos, inclusive os meus e de quaisquer outras pessoas nada valem!
 
Será que a soma dos nomes de todos esses “amigos da discórdia”, pode ter sequer, o peso do nome do SOUESP, representando as mais expressivas Federações e Templos de Umbanda, e INTECAB, destacado órgão de representação da Cultura Afro-Brasileira e da grande massa religiosa do Candomblé, de uma só das federações ou lideranças que compõem essa marcha rumo à sedimentação da nossa Religião? Dentro ora, Irmãos de Fé, a resposta é simples e óbvia: a necessidade de sermos representados por nós mesmos, ou, de uma forma mais direta, a importância de uma representação também política se evidencia e fica plenamente justificada cada vez que a Umbanda e Candomblé são atacados por outras religiões, pelo poder público ou por entidades civis.
 
Para falar a verdade, eu acho até que eles nem merecem resposta!
 
Mas, para que essa descabida pergunta não fique no ar, para que não se dissemine uma só sombra de dúvida, aos meus verdadeiros Irmãos de Fé, para esses sim, eu respondo, e o faço com prazer, pois, talvez esses críticos, intelectualóides e céticos não saibam, mas, com certeza, a nossa Comunidade Religiosa sabe, conhece, sente na pele e vive no dia-a-dia o que é a intolerância e a perseguição lançadas contra as nossas Casas Sagradas, nossos Templos, Terreiros e Ilês, porque são muitas as formas de discriminação que nós enfrentamos.
 
Isoladamente, poucos são os nossos irmãos que possuem condições de lutar contra elas, de modo efetivo e real. Mas JUNTOS, nós poderemos fazer ouvir a nossa voz e teremos vez!
 
Como exemplo não devemos esquecer que as mulheres, só tiveram coroada de êxito a sua luta contra a discriminação sexual, a partir do momento em que passaram a ser representadas e ouvidas nos parlamentos. O mesmo aconteceu com os homossexuais. E diferente não foi com os negros.
 
É só assim que se incluem os excluídos.
 
É assim que reagem e se fortalecem os injustamente perseguidos, em busca do devido respeito!
 
Ora, o que normalmente se faz quando se vai eleger um vereador e se quer fazer isso com isenção, de forma consciente e de modo efetivamente racional?
 
Logicamente, não se vota em quem só fala bonito, aparece engravatado, distribui brindes e camisetas em época de eleição. Ao contrário, se procura dar o voto para alguém do bairro, para defender os interesses da região em que se mora ou trabalha, pois é com ele que se conta para buscar melhorias (luz, asfalto, etc.), junto ao Poder Executivo Municipal. Afinal, é a voz dele que vai ser ouvida no plenário, nas críticas e nos reclamos em favor de melhores condições para os moradores da área que o elegeu. É com ele que se conta para representar a região diante do prefeito e da Prefeitura, de modo geral.
 
É essa razão que nos faz pensar bastante e muito bem pensado na hora de escolhermos nossos representantes na Câmara Municipal, na Assembléia Legislativa, na Câmara Federal e no Senado.Quando votamos, procuramos dar o nosso voto pensando em nosso bairro, nossa categoria profissional, enfim nosso segmento da sociedade.
 
Votamos para que nossa comunidade, nosso segmento social seja representado e tenha voz. Confiamos em um candidato e lhe damos o nosso voto para que ele nos represente, nos defenda, lute por nós.
 
Isso não é verdade? Não é assim que acontece com todos os segmentos sociais? É! Sim, responderão todos. Inclusive aqueles que hoje estão buscando a segmentação em lugar da sedimentação.
 
Afinal, não há outra resposta! O voto é dado com nosso pensamento unicamente voltado o bem da comunidade que compomos e integramos. Certo? SIM!
 
Então, se isso é certo, não há razão para nós, Irmãos de Fé, da Umbanda e do Candomblé, deixarmos de votar em alguém de nossa Comunidade Religião, só porque uma meia dúzia de pessoas usa uma sala de bate-papo, um chat, uma página da Internet para colocar para fora seus rasteiros sentimentos e tentando disseminar a intriga e a discórdia, dizer que não.
 
Por acaso a nossa Comunidade Religiosa não é um segmento da sociedade? Alguém ainda acredita que não é preciso impor e exigir o respeito que é devido à nossa Religião, às nossas Lideranças Espirituais e a cada um de nossos Irmãos da Umbanda e Candomblé?
 
Se os outros segmentos da sociedade civil e religiosa já possuem bancada em todas as esferas legislativas, cada uma cuidando de seus interesses, sendo atuantes e respeitadas, por que a Umbanda e Candomblé não podem eleger, compor bancada? Por que nossas vozes, através de dignos representantes de nossa Comunidade Religiosa, não podem ser ouvidas?
 
Nós ainda não somos realmente ouvidos porque ainda não temos parlamentares, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Vereadores que possam alinhar com outros parlamentares que professem a nossa Fé!
 
E, como todos sabemos, são muitas as ações a serem promovidas pelos parlamentares da Umbanda e do Candomblé que envolvem a defesa da cultura afro-brasileira também na sua face religiosa.

Impõe-se a criação de leis que protejam a Religião e sua prática nas Tendas e Terreiros contra todo tipo de abuso. Queremos respeito aos nossos cultos e respeito aos locais sagrados para sua realização. Queremos disseminação da Religião em todas as frentes!
 
Nossa voz não pode mais ficar calada! Nossos reclamos não podem mais deixar de ser ouvidos! Precisamos de mais! De muito mais!
 
Precisamos, queremos, e, com certeza, a partir dessas eleições teremos mais. Mais pessoas engajadas na mesma causa, e, sem dúvida, a união não fará só a força: fará a diferença, e nos dará a representação que hoje ainda não existe!
 
Se até aqui alguma coisa nos faltou, foi só mobilização e organização para termos a necessária representação, pois trabalho existe! E ele não tem fim!
 
Por isso estamos nos unindo em torno de um só ideal. Ideal que não é só meu, nem somente seu, ou de apenas alguns de nós. É um ideal de nossa Família Religiosa, e, portanto, é o ideal de todos nós!
 
E para a realização desse trabalho, necessitamos de pessoas qualificadas para realizá-lo. Pessoas que têm vida religiosa e atuação política destacadas e reconhecidas por nossos órgãos máximos, pelo SOUESP, pelo INTECAB, pela maioria das Federações sérias e idôneas. E falo pela nossa Sagrada Religião e por todos os nossos Irmãos de Fé da Umbanda e Candomblé!
 
Proponho que a nossa união se mostre agora, com a eleição de nossos Irmãos de Fé, da Umbanda e Candomblé, pois estes é que saberão exatamente o que fazer em seu nome.
 
Esse é o grande diferencial! É entender que só um genuíno Irmão de Fé pode conhecer nossas necessidades e ter força para satisfazê-las plenamente, não se deixando abater pelas vicissitudes e dificuldades do caminho.
 
Ogã Basílio de Xangô. Dr. Antonio Basílio Filho, Advogado criminalista atuante; pós-graduado em Direito Penal e Direito Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo; Juiz Titular do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Automobilismo e da CBA; Comendador pela Ordem dos Templários e pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística, foi Grande Secretário de Assuntos Jurídicos da Maçonaria Paulista; Presidente do CONUB - Conselho Nacional dos Umbandistas do Brasil e é Vice Presidente do SOUESP - Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo; Presidente do movimento Guerreiros do Axé e acumula o cargo de Diretor Jurídico em diversas das nossas mais respeitadas Federações.

OBSERVAÇÃO: matéria extraída da revista Orixás (Candomblé e Umbanda),  Ano II nº 10, de Março/2008. 
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