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Dr. António Basílio Filho* | Consciência ecológica representa o despertar de uma compreensão e sensibilidades novas da degradação do meio-ambiente e das conseqüências desse processo para a qualidade da vida humana e para o futuro da espécie como um todo. Significa uma nova forma de ver e compreender as relações entre os homens e destes com o seu ambiente, de constatar a indivisibilidade entre sociedade e natureza e de perceber a indispensabilidade desta para a vida humana.
O chefe indígena Seattle, em 1855, enviou uma carta ao Presidente dos Estados Unidos. Em um dos trechos lê-se:
"... a terra não pertence ao Homem; o Homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra."
Temos que ter consciência que o Homem é apenas um hóspede que se alojou temporariamente nesta casa e ao invés de amá-la, respeitá-la e protegê-la, retribuindo a hospitalidade, ele extrapola seu "poder". Mas a mãe terra não sobreviverá dessa forma, e, como disse o indígena:
"... Ensinem as suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmo".
Somente com a consciência ecológica e o engajamento na luta da preservação do meio-ambiente, uma nova sociedade, mais humanitária e menos materialista, vai se formar. E tudo isso acabará refletindo na educação das pessoas. A educação ambiental é a principal arma na construção desta consciência no sentido amplo, é o caminho da transformação. O estímulo para a grande transformação está dentro de cada um de nós. Não há nada mais inovador do que assumir um compromisso com a vida, amando o planeta terra, onde a ordem é adaptar-se, protegendo e retribuindo a hospitalidade.
Ter Consciência Ecológica é praticar cidadania ativa, através de práticas que sejam condizentes com a proteção dos mais básicos elementos da natureza. Significa compreender que a preservação de nosso planeta depende essencialmente do equilíbrio e co-existência harmoniosa de todos os seres vivos (humanos e não-humanos), do planeta, e a solução está em nossas mãos, na voz e na caneta. Portanto, nós Umbandistas, devemos mais do que nunca respeitar o nosso ecossistema. Nossa querida religião interage de forma direta no sistema ecológico, por intermédio de nossos Orixás, pois cada um representa um ser da natureza: nossa mãe Yemanjá representa as águas salgadas (nossas praias), Xangô (as pedreiras), Oxum, águas doces (nossos rios e lagos), Oxossi, nossas matas (campos e florestas) e assim sucessivamente.
Um alerta que sempre faço por intermédio do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo - SOUESP - a todas as Federações a ele ligadas, é quanto às nossas homenagens aos caboclos, quando vamos às matas, para não acenderem velas em pés de arvores ou em mata seca. Nossas oferendas são biodegradáveis, portanto não ofendem a mãe natureza, e também, em dias de festejos a Yemanjá, para não acenderem velas na serra. Já tivemos inúmeros transtornos com fogo, na mata da serra, que dificultava, inclusive, a descida de nossos irmãos para os festejos. Enfim gostaríamos que toda a nossa sociedade estivesse empenhada na Consciência Ecológica para não termos sérios problemas no futuro.
Que nossos Orixás, guias, protetores e luzes, abençoem a todos. Um beijo enorme no coração de toda minha querida família umbandista.
*Dr. António Basílio Filho
Vice-Presidente do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo (SOUESP)
Presidente do Conselho Nacional dos Umbandistas do Brasil (CONUB)
Diretor Jurídico da União de Tendas e Candomblé do Brasil
Diretor Jurídico da Associação Paulista de Umbanda
Diretor Jurídico da Liga das Mulheres Umbandista do Brasil (LIMUB) e
Vice-Presidente da União Municipal dos Umbandistas de Guarulhos (UMUG)
Fonte: Guardiões da Luz – Ano I – Abril/2006 Publicado em: 2007-04-30 por NeyBarbosa, última modificação em: 2007-04-30 por NeyBarbosa(768 vizualização(ões)) Histórico
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