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Carta ao Jornal Folha de S. Paulo
SUPERIOR ÓRGÃO DE UMBANDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
E
LIGA DAS MULHERES UMBANDISTA DO BRASIL
 
 
São Paulo, 04 de Abril de 2.008.
 
Ao Senhor Otávio Frias Filho
Diretor de Redação do Jornal FOLHA DE S. PAULO
Ao Senhor Mário Magalhães
Ombudsman do Jornal Folha de S. Paulo
 
Prezados Senhores
 
O Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo, única entidade que, por disposição estatutária, tem plena legitimidade para representar a Família Umbandista e a grande maioria das mais respeitadas, sérias e bem conceituadas Federações Umbandistas de São Paulo, e a Liga das Mulheres Umbandistas do Brasil, vêm, em conjunto, lançar manifestação sobre tudo quanto foi publicado na chamada de capa e nas páginas 4, 5, 6 e 7 do caderno “+mais!” jornal FOLHA DE S. PAULO de Domingo, 30 de março de 2.00, relativamente ao centenário da religião.
 
Nesse particular, por uma lado é de se parabenizar esse tão conceituado veículo de informação, inclusive no que diz respeito à sua Sucursal Rio e, mais notada e especialmente, cumprimentar o jornalista Marcelo Beraba pela qualidade e fidelidade da matéria encerrada nas páginas 4, 5 e 7.
 
Por outro lado, porém, impõe-se, por ser de absoluto rigor, o registro de indignação e veemente repúdio à diagramação, que fez inserir um “artigo” de Reginaldo Prandi, matéria intitulada “Coração de Pombagira”, iniciando a página 6, e, assim, de entremeio (e ao longo de toda a metade esquerda), separando a matéria intitulada “O Terreiro da Contradição” e a coluna de fotos que a deveria seguir e até tinha espaço para ser assim, posto que de mesmo tamanho, igual disposição e idêntica dimensão às daquele “artigo”.
 
Pior: mais que só entremear a valiosa matéria do jornalista Marcelo Beraba e o excelente material advindo da Sucursal Rio, em absurda separação, essa inserção do escrito por Reginaldo Prandi, além de se fazer ladeada pela mencionada coluna de fotos (duas de médiuns e outra do Prof. Saracene), ela nada tem de ligação direta e real com a Umbanda e seu Centenário.
 
Assim é que, em primeiro, há por se destacar que Reginaldo Prandi, embora titulado, eis que professor de sociologia da USP e autor de algumas obras, como Minha querida Assombração e Os príncipes do destino, nenhuma relação tem com a Religião Umbandista, e, ainda que eventualmente tenha se proposto a dedicar algum estudo ao Candomblé e Catimbó, com efeito não se reveste de qualquer espécie de autoridade para representar a Fé ou falar em nome da Umbanda.
 
Mais que só isso: esse “artigo” por ele assinado e, em diagramação, inserido de entremeio, além de se apresentar em espaço rigorosamente inadequado, vez que “localizado” em meio a matéria temática, real e séria, ele, se tanto, compõe literatura de biografia mítica, encerrando única e exclusivamente uma “história de ficção”. Apenas e tão- somente isso, como, aliás, o afirma o próprio autor da peça “Especial para a Folha” enfocada.
 
Nesse particular, para que efetivamente clara fique a impropriedade dessa inserção, havida de entremeio e sem razão de ser, nos cumpre observar as nem tão sutis diferenças entre os diversos “escritos” que vemos publicados.
 
Em regra, o que a Folha de S. Paulo publica é informação, entretenimento, nunca se furtando à divulgação de fatos, conhecimento, saber e lazer.
E isso sempre com seriedade e retidão. Não é por quaisquer outros motivos que tem a aceitação, a circulação e a credibilidade que poucos alcançaram.
 
Com certeza, aqui nenhuma dúvida reside, nem cabe qualquer discussão!
 
Cabe-nos então apreciar do contido no “artigo” que resultou “inserido” em meio à matéria principal, ao centro e foco da publicação encerrada no citado exemplar. Impõe-se-nos fixar no que encerra esse questionado “Especial para a Folha” de Reginaldo Prandi.
 
Ora, de singela leitura do texto apontado, vê-se que nos deparamos apenas e tão-somente com um “comentário” que se vê precedido de uma fantasia.
 
Com efeito, embora magistralmente conduzida a sua redação, de modo a causar ao leitor uma impressão de estar tendo contato com um “relato real” auferido por um jornalista, em cobertura a ato, fato, acontecimento, episódio verdadeiro, coisa da vida real, ele carrega uma fábula, uma historieta de mau gosto, um conto do “boi da cara preta”, um produto do imaginativo, uma criação da imaginação, uma fantasia, ou, como afirma o próprio autor, Reginaldo Prandi, uma “historia de ficção”.
 
De certa forma, o que temos de fato é apenas um “conto”. Conto? Sim. Conto!
 
Mas, afinal, o que é um conto?
 
Todos sabemos o que é um conto! E, por certo, com muito maior razão, Vossas Senhorias sabem bem o que é um conto.
 
Mesmo assim, é válido avançar-se um pouco, para bem nítido ficar o conceito de conto e, por óbvio, cristalinamente aflorado o motivo do repúdio e de tanta indignação, contra a “inserção” de um “conto” bem no meio de uma séria e bem elaborada “matéria jornalística”!
 
De simples consulta ao Dicionário Michaelis, se extrai que conto é uma historieta imaginada, uma fábula, é uma mentira.
 
São, pois, mentiras para acalantar ou assustar crianças, não raro com uso de metáforas, ou, em inúmeras vezes, inventadas para amedrontar, induzir, iludir indivíduos mais rústicos, incautos, incultos, pessoas mais influenciáveis e susceptíveis a engodos e embustes.
 
Segundo o Worpedia, é gênero de prosa de ficção, uma narrativa folclórica. Vale dizer: é uma estória, uma historieta, uma invenção que pouco ou nada tem de verdade, de história real.
 
Como muito bem assenta Fernanda Queiroz, conto é uma narrativa linear, que não se aprofunda no estudo da psicologia das personagens nem nas motivações de suas ações; contém um só assunto cujos detalhes são tão comprimidos e o conjunto do tratamento tão organizado, que produzem uma só impressão.
A finalizar, basta lembrar a definição de conto como encontrada no inexcedível Novo Dicionário (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; Ed. Nova Fronteira) “Narrativa pouco extensa, concisa, e que contém unidade dramática, concentrando-se a ação num único ponto de interesse”.
 
Conto, portanto, não é crônica nem relato!
 
Então, contos, fábulas, estórias, são coisas de entreter, agradar ou assustar mas nunca informar!
 
Nessa conformidade, quiçá por incúria, por desconhecimento da religião ou ignorância sobre a matéria, para nem se cogitar de outros objetivos, de fins sensacionalistas, de motivos canhestros ou de interesses mais torpes, evidente é que, ao efetuar ora repudiada a inserção do texto aqui enfocado bem no meio (e, se não como divisor, até mesmo como “componente”) da séria e digna matéria objeto da sem dúvida verdadeira e principal intenção desse tão prestigiado diário informativo, a diagramação e, bem assim, a redação, na composição do todo desse jornal Folha de S. Paulo fez desinformar ou, no mínimo, gerar confusão, em ato que, lamentavelmente, vem em total desencontro da prática que lhe é peculiar.
 
E, por essa forma, o mínimo que nos resta, a nós do SOUESP – Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo, da LIMUB – Liga das Mulheres Umbandistas do Brasil, Federações, Líderes Religiosos, Membros Federados, Fiéis Umbandistas e todos os demais leitores que, sendo ou não religiosos, adeptos ou simpatizantes da religião, têm direito à melhor informação e ao mais adequado esclarecimento, é esperar, como de fato esperamos, as dignas providências do jornal Folha de S. Paulo, de seus dirigentes, de seu editorial, de sua redação, enfim da instituição informativa
 
e de todos quantos responsáveis a componham, em sentido de trazer à luz, ainda que por nota explicativa, a inexistência de relação entre a “fábula” que, precedentemente a seus comentários e à manifestação de sua opinião, Reinaldo Prandi trouxe no seu “Especial para a Folha” sob o título “Coração de Pombagira” notada, especial e principalmente para que não se tenha prevalecente a idéia de que, com tal expediente, se tenha buscado atacar e denegrir, absurda, consciente e infundadamente a pessoa das Mulheres Umbandistas, menoscabar da Religião da Umbanda, depreciar os Fiéis Umbandistas e atingir a honra de todos quantos, familiares, maridos, filhos, pais, irmãos, amigos, conhecidos, patrões, empregados, sócios e outros, próximos de quaisquer Membros, Fiéis, Irmãos de Fé da Sagrada Umbanda!
 
 
 
 
 
_______________________________
ANTONIO BASILIO FILHO, ADV
VICE-PRESIDENTE DO SOUESP
DIRETOR-JURÍDICO DA LIMUB

 Publicado em: 2008-04-17 por NeyBarbosa, última modificação em: 2008-04-17 por NeyBarbosa(814 vizualização(ões))
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