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SACRIFÍCIO DOS ANIMAIS II

A TEOLOGIA DO SACRIFÍCIO NAS RELIGIÕES
 
Palavra Sacrifício - decomposta = Sacro Ofício, o santo ofício, o ofício sagrado. O sacrifício religioso tem a função de religar o terreno ao divino. Pode ser realizado por meio de meditação e recolhimento ou ofertando algo como agradecimento ou como forma de se fazer essa religação com o princípio sagrado e divino.
 
O sacrifício, na intenção de fazer oferendas a Deus ou divindades, existe desde os primórdios da humanidade. Não podemos reduzir ou entender a palavra sacrifício como sinônimo de sofrimento. Seu verdadeiro significado é o trabalhar pelo sagrado - o sacro ofício.
 
Etimologia da palavra sacrifício: Vem do latim "sacrum facere", que significa fazer algo sagrado mediante um ato ou ação sagrada; oferecer alguma coisa a Deus. O adjetivo "sacrum" vem do verbo latino "sancire", de onde deriva também a palavra sanção e significa consagrar, sancionar, tornar inviolável ou invulnerável, transformar em sacro-santo, consagrar à divindade.
Sagrado vem do latim "sacratus" - sagrado, consagrado, e deriva de "sacrare" - consagrar.
 
Teologia do Sacrifício: permanece uma questão em aberto, não apenas para as religiões que ainda realizam rituais de sacrifício, mas também para as que não mais os praticam, ainda que suas escrituras, tradições e histórias façam menção a sacrifício de animais. As religiões apresentam diversas razões pelas quais os sacrifícios podem ser realizados:
  • os deuses necessitam do sacrifício para seu sustento e para a manutenção de seu poder, que diminuiria sem o sacrifício;
  • os bens sacrificais são utilizados para realizar uma troca com os deuses, que prometeram favores aos homens, em retribuição pelos sacrifícios;
  • a vida e o sangue dos sacrifícios contêm "mana" - energia vital - ou algum outro poder sobrenatural, cuja oferenda agrada aos "deuses";
  • o sacrifício é, na verdade, parte de uma cerimônia. Por vezes é consumido pelos fiéis. Habitualmente incorpora uma forma de redistribuição em que os pobres obtêm parcela maior do que sua contribuição;
  • na Bíblia hebraica, Deus ordena que os israelitas ofereçam sacrifícios de animais no santuário ou tabernáculo. Quando os israelitas já haviam chegado à terra de Canaã, ordenou-se que todos os sacrifícios terminassem, exceto os que aconteciam no Templo de Jerusalém. Na Bíblia, Deus pede sacrifícios como um sinal de sua aliança com o povo de Israel.
Sacrifícios no Judaísmo
 
No Judaísmo o sacrifício é conhecido como Korban, palavra oriunda do hebreu karov, que significa "vir para perto de Deus". Judeus medievais como Maimônides reinterpretaram a necessidade de sacrifícios. Em sua visão, Deus sempre colocava os sacrifícios abaixo de orações e da meditação filosófica. No entanto, Deus entendia que os israelitas estavam acostumados aos sacrifícios animais como forma de comunicação com seus deuses. Assim, na visão de Maimônides, era natural que os israelitas acreditassem que o sacrifício fosse necessário na relação entre o Homem e Deus. Maimônides concluiu que a decisão de Deus de permitir sacrifícios era concessão às limitações psicológicas do homem. Era esperado que os israelitas passassem de sacrifícios à adoração em pouco tempo.
 
Sacrifícios no Islão
 
O sacrifício de um animal, em língua árabe, se diz Qurban. No entanto, a palavra possui em certas regiões uma conotação pagã. Na Índia, porém, a palavra qurbani é utilizada para o rito islâmico de sacrifícios de animais.
 
No contexto islâmico, o sacrifício de um animal é comumente referido como Udhiyah, significando sacrifício. Os muçulmanos dizem que isso não tem nada a ver com sangue e ferimentos (Corão 22:37: "Não é a sua carne tampouco seu sangue que alcança Alá, mas sim a sua fé que o alcança..."). O sacrifício é feito para ajudar os pobres e para recordar o profeta Abraão que não se opunha a sacrificar o filho (de acordo com os mulçumanos, seria Ismael) a pedido de Deus. O animal a ser sacrificado pode ser um cordeiro, uma ovelha, uma cabra, um camelo ou uma vaca.   O rito islâmico de sacrifício é chamado Dhabh. Trata-se de um tipo de permissão garantida ao autor do sacrifício, que resulta em sentimento de gratidão por poder comer a carne do animal sacrificado. A carne é normalmente distribuída entre os parentes necessitados. No entanto, dependendo do propósito ou da ocasião, pode ser consumida pela pessoa que sacrificou o animal.
 
O estudo das antigas civilizações revela que todos os povos ofereciam sacrifícios a Deus, ou a seus deuses. Em Roma, na África, na Índia, etc. Na Bíblia, o sacrifício aparece logo no início da humanidade: "Passado muito tempo, aconteceu oferecer Caim, em oblação, ao Senhor, dos frutos da terra. Abel também ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras deles; e o Senhor olhou para Abel e para os seus dons. Não olhou, porém, para Caim nem para seus dons".
 
Em todos os grandes acontecimentos, os homens ofereciam sacrifícios a Deus: Noé: Gen.8,20, Abraão: Gen.22,1, Moisés: Exod.29,38 e Levítico, onde aparece toda a ordenação litúrgica estabelecida por Deus no Antigo Testamento.
 
Podemos concluir que oferecer sacrifícios num ato religioso é próprio à natureza humana, visto que todos os povos assim o fizeram.
 
O Sacrifício Litúrgico Católico
 
É a Santa Liturgia que realiza o Sacrifício. Pelos Sacramentos, principalmente pela Santa Missa, a Igreja tem o poder de realizar o mesmo sacrifício da Cruz, realizar esta comunhão das almas com seu chefe, que é Jesus Cristo. Ela o realiza, não apenas de um modo espiritual e invisível (pela graça), mas também pelas cerimônias do culto, atos externos, sensíveis e visíveis que manifestam claramente a graça invisível. Cada sacramento possui uma graça sacramental própria, além da forma e da matéria que constituem o lado visível do sacramento.
A Missa é um verdadeiro sacrifício, mas é também um sacramento. Isto significa que aquele único e mesmo sacrifício do Calvário nos é apresentado sob a forma de sinais sensíveis (a consagração do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor) apropriados para atravessar todos os séculos da existência da Igreja.

Fonte: Revista Espiritual de Umbanda – Especial 04 – Editora Escala

 Publicado em: 2007-06-19 por NeyBarbosa, última modificação em: 2007-06-19 por NeyBarbosa(1588 vizualização(ões))
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