1º ENCONTRO DE CORIMBAS
MÚSICA SACRA AFRO-BRASILEIRA, CANTOS E TOQUES DE TERREIRO
UNICAMP - ESPAÇO CULTURAL CASA DO LAGO
20/11/2005 - Campinas/SP
O 1° Encontro de Corimbas aconteceu no Espaço Cultural, Casa do Lago da Universidade de Campinas, uma realização da Unicamp, PREAC, Ópera Matodentro e Faculdade de Teologia Umbandista.
O evento foi aberto por Pai Arao-batan, da FTU - Faculdade de Teologia Umbandista, que discorreu sobre a importância do respeito à pluralidade e às diferenças entre todas as escolas umbandistas, e de se preservar o elo de ligação que une todos os cultos, que são os pontos cantados. Em seguida a palavra foi passada a Hilário Bispo de Jesus, o Babalarena, que abordou o dia da Consciência Negra e a posição do negro nos cultos afro-descendentes, além da lembrança de que o Brasil é um país miscigenado e essa mistura é importante para que haja a tolerância entre as raças.
A primeira Corimba a se apresentar, foi a do templo de Umbanda Vovô Serafim e Ogum Três Espadas, da cidade de Rio Claro, comandado por pai André, e, conforme anunciaram os próprios integrantes da Corimba, não tocaram nem cantaram pontos de raiz, mas composições próprias de louvação aos Orixás, a maior parte delas cantadas em lorubá. Trouxeram instrumentos variados, entre eles dois batas nigerianos e um ntama, um tambor falante. O coral era muito bem afinado e os alabês muito bons. Executaram, na maior parte das músicas, os toques de Ijexá, Cabula e Barravento.
A segunda Corimba foi a do Templo de Umbanda Mamãe Oxum, Caboclo Sete Pedras e Caboclo Itajaé, comandado por pai José Carlos, que apresentou alguns pontos de louvação entoados em seus ritos. A apresentação contou com um coral de senhoras e os alabês executaram tradicionais toques de Cabula e Toruá. A terceira Corimba foi a da Comunidade da Tradição do Culto Afro llesin Ogun Lakayie Osinmole, de Campinas, comandada por Pai Toloji. Apresentou-se em duas partes: a primeira com vários toques e orikis da nação Keto, com a especial participação de suas laôs, dançando com as interpretações características de cada Orixá; na segunda parte Pai Toloji apresentou pontos que entoa em seus ritos de Candomblé de Caboclo. Os alabês executaram, com precisão, inúmeros toques, tais como Cabula, Barravento, Congo de Ouro para o Candomblé de Caboclo e Alujá, Aguerê, Daró e Opanijé para o Candomblé Keto.
A seguir o Terreiro de Umbanda José das Flores de Angola, comandado pelo maestro Jansen, o Pai Carnaúba, apresentou cantos, na maior parte folclóricos, resgatados das antigas tradições bantu-indígenas e que possuem, em sua origem, profundas raízes ritualísticas. Seu Alabê executou Cabulas e Toruás. Fechando o evento, a Corimba da FTU apresentou explicações sobre o porquê da ritualística da Percussão Sacra.
Pai Araobatan, Ogan Colofé da FTU, apresentou cada um dos cânticos que seriam executados e Pai Obashanan discorreu sobre os mistérios do Orixá Ayom, o Orixá da música de percussão. Apresentaram cânticos da Encantaria, das Nações Keto e Angola e da Umbanda em seus vários aspectos. Os alabês da FTU executaram toques em Adarrum, Barravento, Cabulas, Congo de Ouro, Toruá, Bata e Aguerê.
Ao final, a Corimba da FTU convidou todos os outros Alabês para executarem o ponto cantado final juntos, encerrando assim as atividades.
Fonte: Revista Espiritual de Umbanda – Nº 12 Publicado em: 2007-05-14 por NeyBarbosa, última modificação em: 2007-05-14 por NeyBarbosa(2526 vizualização(ões)) Histórico
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