A IMPORTÂNCIA DOS RITUAIS FÚNEBRES NO CANDOMBLÉ
Axexê, Sirrum, Mukondo, Azérem.
O iniciado, quando faz seu santo, passa por uma série de preceitos (fundamentos), dentro do Candomblé. Essas etapas, que são verdadeiras maratonas de fé, são todas feitas direcionadas às divindades (espíritos). O corpo é preparado para receber as energias vindas de outros mundos, que são dimensões espirituais.
As pessoas que são feitas no santo são templos receptivos das forças das divindades.
Sendo assim, há uma ligação direta e indireta com o mundo dos ancestrais, que nos fortalecem a cada dia. Tal importância não pode ser deixada de lado, pois a morte faz parte da vida. É a única verdade absoluta que se pode afirmar.
Por este e outros motivos é que temos que dar a devida atenção a todos os fundamentos fúnebres que fazem parte do Candomblé.
O Axexê, Sirrum, Mukondo, Azérem, são cerimônias importantes dentro da religião, seja qual for a nação.
Nós não morremos e simplesmente passamos para outro campo; todos nós faremos parte da energia dos nossos ancestrais, nossas divindades.
Nós, que somos do Candomblé, não podemos deixar enterrar nossos mortos de qualquer forma. Assim como preparamos nosso corpo para receber a energia dos nossos deuses, devemos preparar nosso corpo também para liberar essa energia. Saber entregar o corpo à terra.
Existem muitos equívocos e falta de informações onde as pessoas acham que não é necessário, ou que a pessoa que se foi não queria a cerimônia.
Deve haver uma consciência unânime entre as pessoas iniciadas no Candomblé, pois ainda existe muito preconceito entre familiares que podem não querer que se faça os rituais. Nem sempre é culpa dos zeladores, que nessas horas não podem fazer muito.
As pessoas que se acharem nessas condições devem, em vida, manifestar seus desejos, deixar escrito para o sacerdote ter liberdade de executar os preceitos devidos. O axexê é tão importante quanto as obrigações anuais que são feitas. Tudo faz parte de um ciclo que sempre vai estar em movimento. Nós estaremos sempre nas lembranças da nossa comunidade religiosa, nos tornaremos eternos em vários rituais.
Não há nada de macabro. As cerimônias são sérias e bonitas, na qual homenageamos todos os nossos ancestrais e os cultuamos para fortalecer, cada vez mais, a comunidade do terreiro onde estão sendo feitas as devidas reverências.
Consiste em cânticos aos saudosos, divindades e lembranças de vida. O branco é a cor símbolo do luto e da alegria.
O caixão, suspenso nos ombros dos Ogans, dão três passos para frente e três passos para trás, manifestando saudades. Mas os rituais devem ser cumpridos.
Os preceitos, feitos na casa de Candomblé, ainda continuam, variando a idade do iniciado e a obrigação feita; será conduzido pelo pai-de-santo ou mãe-de-santo, durante 1, 3 ou 7 dias. A continuação, dependendo da importância do saudoso, prossegue entre cerimônias, após três meses, seis meses, um ano e sete anos E assim por diante.
Como todos os fundamentos, este também deve ser feito por pessoas que realmente o conheça, pois é importante, tanto para o espírito de quem se foi, como para quem fica. Tudo é feito com seriedade e verdade, afinal os nossos entes queridos devem ser tratados com respeito e dignidade. Evangélicos, católicos, muçulmanos entre outros se empenham em dar o melhor aos seus entes queridos e nós devemos fazer o mesmo.
Tudo no Candomblé é consagrado à natureza, de onde tudo vem e tudo volta. Portanto, tudo deve ser respeitado, bem observado, pois, queridos leitores, nós não viveremos 200 anos, mas o pouco que Deus nos permite deve ser muito bem vivido e temos o dever de fazer o melhor da nossa religião para os nossos familiares que vão ao encontro dos orixás e que nos deixam a esperança de revê-los algum dia.
Olorum fé !
Silvio D 'Osumaré
Fonte: Revista Orixás, Candomblé e Umbanda – Ano I – N° 03 Publicado em: 2007-05-05 por NeyBarbosa, última modificação em: 2007-05-05 por NeyBarbosa(2937 vizualização(ões)) Histórico
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