REPRESENTANTES UMBANDISTAS
 Meus Irmãos, como todos sabemos, as pessoas sempre se identificam umas com as outras. E por várias razões, como por exemplo: raça, cor, sexo, profissão, time de futebol, e, também, pelo motivo que julgo mais importante: a Religião!
A fé que habita em cada um de nós é particular. Ela cresce, se solidifica com os anos, molda nosso caráter e cria comportamentos que irão nos diferenciar por toda nossa vida.
Eu me refiro a essa fé que nos leva a praticar nossos rituais em louvor aos Orixás e nos impulsiona a desenvolver, com a máxima dedicação e pela melhor forma, os trabalhos com nossas Entidades.
Com certeza, as razões que movem cada um de nós, seguidores da Umbanda, são as mesmas razões que me conduzem até minha Tenda/Terreiro todas as semanas. E é esse sentimento, é essa obrigação moral, que une a todos nós em tomo de nossa Religião.
Nesse aspecto, eu acredito, sem nenhuma sombra de dúvida, que há um elo ,entre mim e todos os meus irmãos da Religião Umbandista.
Nossos interesses são os mesmos: praticar o bem, levar conforto aos nossos semelhantes que se encontram em estado de aflição, distribuir a caridade, semear a paz, espalhar amor, ter tolerância, agir com confiança, compreensão, buscar a integração e combater as injustiças.
É isso tudo que nos faz IRMÃOS.
Mas tenho uma dúvida: se essas razões são suficientes para nos unir, para nos fazer irmãos, por que é que nós, da Umbanda, ainda não temos uma significativa representação política?
Sinceramente, não posso crer que um Irmão, da Umbanda, confie em qualquer outro e não em um Umbandista, a ponto de fazer dele seu representante político.
Não creio. Prefiro acreditar que não temos uma efetiva representação política apenas porque nunca nos mobilizamos. Espero que isso acabe aqui, porque, com certeza, agora é hora de mudar!
É chegada a hora de nos mobilizarmos, nos unirmos para mostrar nossa força! A força da nossa Fé. A força que nos levará a ter representação e voz! Tudo que merecemos e necessitamos!
E porque há essa necessidade?
A importância política se justifica cada vez que a Umbanda é atacada por outras religiões, pelo poder público ou por entidades civis. São muitas as formas de discriminação que nós enfrentamos mas, isoladamente, nem todos os umbandistas possuem condições de lutar contra elas, de forma efetiva e real.
É por essa razão que escolhemos nossos representantes na Câmara Municipal, na Assembléia Legislativa, na Câmara Federal e no Senado, para que o nosso segmento da sociedade seja representado e tenha voz, para nos defender, lutar por nós, impor e exigir o respeito que é devido à Religião Umbandista e a cada um de nossos Irmãos da Umbanda!
Os outros segmentos da sociedade civil e religiosa, já possuem sua bancada nas esferas legislativas acima, cada uma cuidando de seus interesses, sendo atuantes e respeitadas. Por que a Umbanda não? Por que ainda não temos um Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal ou Senador que possa afirmar que está alinhado com outros parlamentares que professem a Fé Umbandista?
Até temos político, que tem um trabalho em prol da nossa querida Religião. Mas ainda são poucos, ficam isolados, trabalham sozinhos.
E são muitas as ações a serem promovidas pelos parlamentares umbandistas que envolvem a Mesa da cultura afro-brasileira, também na sua face religiosa. Impõe-se a criação de leis que protejam a Religião e sua prática nas Tendas/Terreiros contra todo tipo de abuso. Queremos a regulamentação dos cultos e dos locais sagrados para sua realização; a disseminação da Religião em todas as frentes!
Por isso precisamos de mais! Precisamos, queremos e, com certeza, a partir dessas eleições, teremos mais. Mais pessoas engajadas na mesma causa e, sem dúvida, a união não fará só a força, mas a diferença! E nos dará a representação que hoje ainda não existe.
Se até aqui alguma coisa nos faltou, foi só mobilização e organização para termos a necessária representação, pois trabalho existe. E ele não tem fim! Por isso estamos nos unindo em tomo de um só ideal. Ideal que não é só meu, nem somente seu, ou de apenas alguns de nós. E um ideal da Família Umbandista, e, portanto, é o ideal de todos nós!
E para a realização desse trabalho, necessitamos de pessoas qualificadas para realizá-lo. E quando digo qualificadas, o faço pela Umbanda, por todos os Irmãos da Umbanda, e proponho que a nossa união se mostre agora, com a eleição de Irmãos Umbandistas, pois estes é que saberão exatamente o que fazer em seu nome.
Esse é o grande diferencial! É entender que só um umbandista, genuíno, pode conhecer nossas necessidades e ter força para satisfazê-las plenamente, não se deixando abater pelas vicissitudes e dificuldades do caminho.
Precisamos identificar e reconhecer, entre os nossos verdadeiros irmãos, aqueles que abraçaram, com o coração, a missão de difundir a paz, o amor e a caridade, através de ações políticas. Posso responder, com tranqüilidade, pois a Umbanda possui membros iluminados, pessoas que nasceram ou que foram trazidas para a Religião, a fim de se desenvolverem e assim ajudar aos outros.
São essas pessoas que fazem grandes sacrifícios, que são reconhecidas por seus irmãos e que não só inspiram uma confiança inabalável, como também são fontes de conhecimentos a serem seguidos.
A afinidade que um umbandista pode ter por outro é baseada nesses ditames, nesse modo de viver, na sua conduta pessoal e pública. Tais condições justificam a confiança política necessária para fazermos com que um irmão se torne um representante eleito, comprometido e interessado em defender a Umbanda.
Uma pessoa que tenha fé, equilíbrio e confiança na missão, que dele se exige, pode conseguir realizar grandes obras espirituais e transformá-las em benefícios para toda a Religião.
E mais, uma pessoa comprometida, desde criança, com a Religião umbandista, conhecedora de nossos rituais, sabedora de nossas dificuldades e engajada em toda sua vida em benefício da Religião, certamente estará mais afinada com os interesses da Umbanda.
Dr. António Basílio Filho
Vice Presidente (licenciado), do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo e Presidente (licenciado), do Conselho Nacional dos Umbandistas do Brasil.
Fonte: Revista Orixás, Candomblé e Umbanda – Ano I – Nº 04 Publicado em: 2007-05-04 por NeyBarbosa, última modificação em: 2007-05-04 por NeyBarbosa(1058 vizualização(ões)) Histórico
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